Exercícios Campo Magnético - Física


Gabarito no final das questões.

Lista de 10 exercícios Campo Magnético - Física 



1 – Uma partícula com carga q e massa M move-se ao longo de uma reta com velocidade v constante numa região onde estão presentes um campo elétrico de 500 V/m e um campo de indução magnética de 0,10T. Sabe-se que ambos os campos e a direção de movimento da partícula são mutuamente perpendiculares. A velocidade da partícula é:
a) 500m/s                                b) constante para quaisquer valores dos campos elétrico e magnético
c) (M/q)5,0 x 103m/s              d) 5,0 x 103m/s
e) Faltam dados para o cálculo

2 – Um campo magnético uniforme, B=5,0.10-4T, está aplicado no sentido do eixo y. Um elétron é lançado através do campo, no sentido positivo do eixo z, com uma velocidade de 2,0.105m/s. Carga do elétron                  q = -1,6.10-19C.
a) Qual é o módulo, a direção e o sentido da força magnética sobre o elétron no instante inicial?
b) Que trajetória é descrita pelo elétron?
c) Qual é o trabalho realizado pela força magnética?

3 – Um elétron se encontra a uma distância de 2mm de um fio retilíneo, movendo-se paralelamente a ele com a mesma velocidade que uma onda luminosa em uma fibra óptica. Uma chave é ligada, fazendo criticar uma corrente elétrica no fio. Determine o valor desta corrente para que o elétron seja submetido a uma força de 1,28x10-14N, no momento em que a corrente começa a circular.
Dados:            Índice de refração da fibra óptica: n=1,5, Velocidade da luz no vácuo: c = 3x10m/s
            Permeabilidade magnética do vácuo: m0 = 4πx10-17 H/m, Carga do elétron: e = 1,6x10-19 C

4 – A utilização de campos elétricos e magnéticos cruzados é importante para viabilizar o uso da técnica híbrida de tomografia de ressonância magnética e de raios X. A figura mostra parte de um tubo de raios X, onde um elétron, movendo-se com velocidade v = 5,0x10m/s  ao longo da direção x, penetra na região entre as placas onde há um campo magnético uniforme, B, dirigido perpendicularmente para dentro do plano do papel. A massa do elétron é me = 9x10-31 kg e a sua carga elétrica é q = -1,6x10-19 C
O módulo da força magnética que age sobre o elétron é dado por              F = qvBsenθ, onde θ é o ângulo entre a velocidade e o campo magnético.

a) Sendo o módulo do campo magnético B = 0,010 T, qual é o módulo do campo elétrico que deve ser aplicado na região entre as placas para que o elétron se mantenha em movimento retilíneo uniforme?
b) Numa outra situação, na ausência de campo elétrico, qual é o máximo valor de B para que o elétron ainda atinja o alvo?

5 – Um fio metálico retilíneo de massa 50g e comprimento MN = 50cm, é suspenso por um dinamômetro D de massa desprezível e mantido em equilíbrio na direção horizontal numa região onde existe um campo de indução magnética uniforme B de intensidade 0,040T. Se o fio se encontra perpendicularmente ás linhas de indução, quando a intensidade da corrente elétrica indicada na figura é 20A, o dinamômetro assinala: (Adote: g = 10m/s²).

a) 1x10-1N       b) 2x10-1N      c) 4x10-1N       d) 5x10-1N      e) 9x10-1N

6 – Um circuito elétrico é constituído de uma pilha de força eletromotriz    ε = 4,0V e resistência interna desprezível, dois resistores de resistência elétrica R = 2,0Ω cada um e uma chave. Este conjunto encontra-se suspenso por uma mola de constante elástica k, inicialmente em equilíbrio estático.

a)Calcule a corrente elétrica i1 no circuito caso a chave permaneça aberta.
b)Calcule a corrente elétrica i2‚ no circuito caso a chave permaneça fechada.
c)Ao aplicarmos, na região sombreada da figura anterior, um campo magnético uniforme, de módulo B, perpendicular à folha de papel, qual será o sentido do campo magnético (para dentro ou para fora da folha) de modo a produzir uma distensão adicional ∆x na mola? Justifique a sua resposta.
d)Expresse a distensão adicional ∆x em termos de B, i, L e k.

7 – O mágico passa uma bengala por dentro de um aro, de 40cm de raio, contendo pequenas lâmpadas, que se iluminam e permanecem iluminadas enquanto é mantido o movimento relativo entre os dois objetos. Na realidade, a bengala é um ímã e o aro é uma espira metálica circular. Pode-se supor que o plano da espira seja mantido perpendicular às linhas de indução magnética durante o movimento relativo. Considerando π ≈ 3 e admitindo que o campo magnético varie de zero a 1,0T em 0,40s, calcule a força eletromotriz induzida na espira.

8 – Uma haste metálica de comprimento 20,0 cm está situada num plano xy, formando um ângulo de 30° com relação ao eixo Ox. A haste movimenta-se com velocidade de 5,0 m/s na direção do eixo Ox e encontra-se imersa num campo magnético uniforme B, cujas componentes, em relação a Ox e Oz (em que z é perpendicular a xy) são, respectivamente, BZ=2,2 T e BX=-0,50T. Assinale o módulo da força eletromotriz induzida na haste.
a) 0,25 V                    b) 0,43 V                    c) 0,50 V                    d) 1,10 V                    e) 1,15 V

9 – O desenho ao lado mostra uma região com um campo magnético constante e uniforme de módulo B = 1T (representado pelo símbolo X), com direção perpendicular à folha e orientado como se estivesse entrando através da folha. Imerso nesse campo magnético, tem-se um circuito simples, apenas com uma lâmpada incandescente. Sabendo-se que esse circuito está sendo deslocado para a direita com velocidade de módulo V e
que o fluxo do campo magnético através de uma área A é dado por Φ = BA,
responda:

a) O sentido convencional da corrente induzida no circuito é horário ou anti-horário?
b) O campo magnético gerado pela corrente induzida dentro do retângulo CDEF está entrando ou saindo da folha? Justifique sua resposta com base na lei de Lenz.
c) No instante t0 = 0s, o segmento CD vale 0,2m. Qual o fluxo do campo magnético através do quadrado CDEF?
d) Em t1=0,01s, o segmento CF vale 0,1m. Qual a força eletromotriz induzida no circuito?

10 – O circuito de um aparelho eletrônico é projetado para funcionar com uma diferença de potencial de 12V. Para esse aparelho poder ser ligado à rede elétrica de 120V, utiliza-se um transformador, que reduz a diferença de potencial.

Esse transformador consiste em um núcleo de ferro, em que são enroladas duas bobinas – a do primário e a do secundário – como mostrado na figura. Nesse caso, a bobina do primário é ligada à rede elétrica e a do secundário, ao circuito do aparelho eletrônico. Com base nessas informações, responda:
a) Esse transformador pode ser usado em uma rede elétrica de corrente contínua? Justifique sua resposta.
b) Considere que, nesse transformador, as perdas de energia e as resistências elétricas das bobinas são desprezíveis e que a resistência equivalente do circuito ligado na bobina do secundário é de 30Ω. Calcule a corrente na bobina do primário.


Gabarito

1-D;
2-a) No sentido do eixo x, com intensidade de 1,6.10-17N, b) circular, c) zero; 3-4A;
4- a) E = 5.10³ V/m, b) B = 2,8.10-5 T; 5-A; 6-a) 1A, b) 2A, c) para dentro; 7-1,2V; 8-A;
9-a) sentido horário, b) mesmo sentido do campo indutor, c) 0,04T, d) 2V; 10-a) Não, b)0,4A;

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Lista de livros vestibular UFSC 2013 - Download


Lista de livros vestibular UFSC 2013


A instituição recomenda a leitura integral das oito obras para a realização da prova. Confira a lista:
Amar, verbo intransitivo, de Mário de Andrade; Download


Beijo no Asfalto, de Nelson Rodrigues;


Capitães de Areia, de Jorge Amado; Download


Ecos no Porão, de Silveira de Souza;


Geração do Deserto, de Guido Wilmar Sassi;


Memórias de um sargento de milícias, de Manoel Antônio de Almeida; Download


Memórias Sentimentais de João Miramar, de Oswald de Andrade; Download


Poesia Marginal, diversos autores.


De acordo com a universidade, o conhecimento dessas obras supõe capacidade de análise e interpretação de textos, assim como o reconhecimento de aspectos próprios aos diferentes gêneros. A UFSC entende também os candidatos devam conhecer o contexto histórico, social, cultural e estético de cada obra.

Exercícios Magnetismo Nível 1 - Física


Gabarito no final das questões.

Lista de 10 exercícios  Magnetismo Nível 1 - Física 


Se você quer ainda mais exercícios e mais difíceis, veja a lista de magnetismo nível 2 neste link 

01 – A figura (a) representa uma metade magnetizada de uma lâmina de barbear, com os pólos norte e sul indicados respectivamente pelas letras N e S. Primeiramente, esta metade de lâmina é dividida em três pedaços, como indica a figura (b). A seguir, os pedaços 1 e 3 são colocados lado a lado, como indica a figura (c).Nestas condições, podemos afirmar que os pedaços 1 e 3 se __________, pois P assinala um pólo __________ e Q um pólo __________ . A alternativa que preenche corretamente as lacunas na afirmativa anterior é:


a) atrairão - norte – sul.          b) atrairão - sul – norte          
c) repelirão - norte – sul.        d) repelirão - sul – norte        
e) atrairão - sul - sul

02 – Cada uma das figuras abaixo mostra uma carga pontual, mantida fixa entre e eqüidistante de dois ímãs. É correto então afirmar que, após serem abandonadas com velocidades iniciais nulas:

a) a carga positiva será atraída pelo pólo sul do ímã à esquerda e a carga  negativa será atraída pelo pólo norte do ímã à direita.
b) a carga positiva será atraída pelo pólo norte do ímã à direita e a carga negativa será atraída pelo pólo sul do ímã à esquerda.
c) cada carga permanecerá em sua posição original.
d) ambas as cargas são atraídas pelo pólo norte do ímã à direita.
e) ambas as cargas serão atraídas pelo pólo sul do ímã à esquerda.

03 – De acordo com o sistema de eixos representado acima, assinale a alternativa que contém a afirmativa correta.

a) O objeto sofrerá um desvio no sentido positivo do eixo y, devido à presença do campo magnético na região.
b) O objeto cairá verticalmente, não sofrendo desvio algum até atingir o solo, pois campos gravitacionais e magnéticos não interagem.
c) O objeto sofrerá um desvio no sentido positivo do eixo x, devido à presença do campo magnético na região.
d) O objeto sofrerá um desvio no sentido negativo do eixo x, devido à presença do campo magnético na região.

04 – Um fio condutor retilíneo muito longo, imerso em um meio cuja permeabilidade magnética é        m0=6π.10-7 Tm/A, é percorrido por uma corrente I. A uma distância r=1m do fio sabe-se que o módulo do campo magnético é 10-6T. Qual é a corrente elétrica I que percorre o fio?
a) 3,333 A       b) 6π A           c) 10 A            d) 1 A             e) 6 A

05 – A respeito da força magnética que pode atuar sobre um próton que se encontra nas proximidades de um longo condutor retilíneo percorrido por corrente elétrica, é correto afirmar que
a) a força magnética é máxima quando o próton se desloca obliquamente em relação ao condutor.
b) a intensidade da força magnética decresce com o quadrado da distância do próton ao condutor.
c) a força magnética é de atração quando o próton se desloca paralelamente ao fio e contrário ao sentido (convencional) da corrente.
d) a força magnética é de atração quando o próton se desloca paralelamente ao fio e no sentido (convencional) da corrente.
e) a intensidade da força magnética é diretamente proporcional ao quadrado da intensidade da corrente no condutor.

06 – Uma corrente elétrica i constante atravessa um fio comprido e retilíneo, no sentido indicado na figura I, criando, ao seu redor, um campo magnético. O módulo do vetor indução magnética, em cada um dos pontos A e B de uma reta perpendicular ao fio e distantes 2,0cm do mesmo, é igual a 4,0x10-4T.
Considere, agora, outro fio, também comprido e retilíneo, distante 2,0cm tanto de A como de B, cruzando com o primeiro, mas sem tocá-lo. Os dois fios e os pontos A e B estão, praticamente, no mesmo plano, como mostra a figura II. Se a corrente que atravessa o segundo fio, no sentido indicado na figura, também é i, qual será o módulo do vetor indução magnética resultante.

a) no ponto A? b) no ponto B?

07 – Considere a situação em que um menino enrola várias espiras de um fio condutor de eletricidade ao redor de uma barra de ferro. Leia, agora, as afirmações abaixo:
I - Se a barra for de material isolante, ela se comportará como um condutor.
II - Se a barra de ferro for um magneto, uma corrente elétrica circulará pelas espiras.
III - Se uma corrente elétrica circular pelas espiras, a barra de ferro se comportará como um isolante.
IV - Se uma corrente elétrica circular pelas espiras, a barra de ferro se comportará como um magneto.
A afirmativa que se aplica à situação descrita é a de número:
a) I                  b) II                c) III               d) IV

08 – O condutor retilíneo muito longo indicado na figura é percorrido pela corrente I=62,8A. O valor da corrente I na espiral circular de raio R, a fim de que seja nulo o campo magnético resultante no centro O da mesma, será igual a:

a) nulo.            b)  1A             c) 1000A             d) 100A            e) 10A

09 – Um solenóide ideal, de comprimento 50cm e raio 1,5cm, contém 2000 espiras e é percorrido por uma corrente de 3,0A. O campo de indução magnética é paralelo ao eixo do solenóide e sua intensidade B é dada por: B=m0nI, onde n é o número de espiras por unidade de comprimento e I é a corrente. Sendo m0=4πx10-7N/A2
a) Qual é o valor de B ao longo do eixo do solenóide?
b) Qual é a aceleração de um elétron lançado no interior do solenóide, paralelamente ao eixo? Justifique.

10 – A intensidade do campo magnético produzido no interior de um solenóide muito comprido percorrido por corrente depende basicamente:
a) só do número de espirais do solenóide      b) só da intensidade da corrente
c) do diâmetro interno do solenóide             d) do nº de espiras por comprimento e da intensidade da corrente
e) do comprimento do solenóide


Gabarito

01-D; 02-C; 03-C; 04-A; 05-D; 06-a) zero, b) 8,4.10-4T; 07-D; 08-E; 09-a) 1,5.10-2T, b) Zero; 10-D

Exercícios Fonética e Fonologia - Português


Gabarito no final das questões.

Lista de 10 exercícios Fonética e Fonologia - Português 




Questão 1
(UFRN) Sentaram-se todos ....... mesa como ..... muito tempo atrás ..... mãe serviu ..... todos igualmente.

a) à, há, A, a

b) à, à, À, à

c) a, há, À, à

d) a, à, À, a

e) à, há, Á, à








Questão 2 (FUVEST) Assinale a frase que pode ser completada com HÁ - A - À, nessa ordem.

a) ....... tempos não ..... via, mas sempre estive ....... espera de um encontro.

b) Aqui, ........ beira do rio, ...... muitos anos, existia ...... casa-grande do engenho.

c) Em resposta ...... essa solicitação, só posso dizer que não ...... vaga ...... disposição.

d) Fiz ver ..... quem de direito, que não ...... possibilidade de atender .... solicitação.

e) ....... esperanças de obtermos, ....... custa de muito empenho ..... vaga de servente.








Questão 3 (UFMG) Assinale o item em que todas as palavras são acentuadas pela mesma regra de: também, incrível e caráter:

a) Alguém, inverossímil, tórax.

b) Hífen, ninguém, possível.

c) Têm, anéis, éter.

d) Há, impossível, crítico.

e) Pólen, magnólias, nós.








Questão 4 (AMAN) Das palavras abaixo, uma admite duas formas de justificar o acento gráfico, por enquadrar-se em duas regras de acentuação:

a) combustível;

b) está;

c) três;

d) países;

e) veículos.








Questão 5 (ITA) Dadas as palavras: 1) tung-stê-nio 2) bis-a-vô 3) du-e-lo constatamos que a separação silábica está correta:

a) Apenas na palavra nº 1;

b) Apenas na palavra nº 2;

c) Apenas na palavra nº 3;

d) Em todas as palavras;

e) NDR.








Questão 6 (CEFET-MG) A alternativa em que TODAS as palavras grafam-se com Z é:

a) Re___idual, embele___amento, sutile___a, ga___olina.

b) Pequene___, fregue___ia, reve___amento, fri___o.

c) Co___inhar, penali___ar, frigide___, coali___ão.

d) Pe___aroso, pra___erosamente, catali___ador, fu___ão.

e) Relu___ir, anali___ar, montanhe___a, encru___ilhada.








Questão 7 (UFU) No último ................... da orquestra sinfônica, houve ................... entre convidados, apesar de ser uma festa ...................

a) conserto - flagrantes descriminações - beneficente.

b) conserto - fragrantes discriminações - beneficiente.

c) conserto - flagrantes descriminações - beneficiente.

d) concerto - fragrantes discriminações - beneficiente.

e) concerto - flagrantes discriminações - beneficente.








Questão 8 (UNI-RIO) Assinale a opção em que o vocábulo apresenta ao mesmo tempo um encontro consonantal, um dígrafo consonantal e um ditongo fonético.

a) ninguém

b) coalhou

c) iam

d) nenhum

e) murcham








Questão 9 (UFPA) O trecho que apresenta uma incorreção referente à ortografia é:

a) As regiões de megadiversidade biológica necessitam de maior proteção ambiental, mas outras áreas, apesar de apresentarem menor diversidade, têm grande número de espécies de certos grupos particulares e também precisam ser preservadas.

b) Como não existem insetos no mar, isso explica por que o número de espécies marinhas é relativamente pequeno.

c) Na costa de Nova Jersey, nos EUA, amostras coletadas por dragagem do fundo, com equipamentos que podem ser fechados antes de serem trazidos à superfície continham 898 espécies.

d) A exploração dos oceanos ainda tem muito a revelar. Comunidades animais foram descobertas no fundo do Oceano Pacífico. Vermes gigantescos, carangueijos e outros estranhos animais são encontrados nessas comunidades.

e) As florestas tropicais cobrem apenas 7% da superfície terrestre, mas abrigam quase a metade das espécies atuais.









Questão 10 (UFPE) Quando a situação exige que se escreva seguindo as normas do português padrão, o cumprimento das regras de ortografia torna-se relevante.

Observe os enunciados abaixo:

1) Para conter a violência no trânsito, DETRANs começam a cassar carteiras do mal motorista.

2) O pessimismo tomou conta dos agentes econômicos, que crêem que a riqueza do planeta evaporou.

3) Um programa que tem a pretenção de controlar a dieta calcula a composição dos alimentos ingeridos, o seu número de calorias e aponta eventuais excessos, de acordo com as informações de peso e faixa etária de cada pessoa.

Há palavras grafadas incorretamente em:

a) 1 e 3 apenas

b) 1,2 e 3

c) 2 e 3 apenas

d) 3 apenas

e) 1 apenas












Gabarito:
1-a 2-a 3-a 4-e 5-c 6-c 7-e 8-e 9-d 10-a

Exercícios Campo Elétrico - Física


Gabarito no final das questões.

Lista de 10 exercícios Campo Elétrico - Física  



01 – Um dipolo elétrico define-se como duas cargas iguais e opostas separadas por uma distância L. Se Q é o valor da carga, o campo elétrico, conforme a figura a seguir, 

no ponto P, tem intensidade igual a:
a) k0Q/r2             b) k0Q/r           c) k0LQ/r3          d) k0rQ/L3         e) k0rQ/L

02 – Duas cargas elétricas +Q e -9Q estão localizadas, respectivamente, nos pontos M e N indicados no esquema a sequir. Considerando os pontos 1, 2, 3 e 4 marcados no esquema, o campo elétrico resultante da ação dessas cargas elétricas é nulo


a) somente no ponto 1               b) somente no ponto 2
c) somente nos pontos 1 e 2      d) somente nos pontos 3 e 4
e) nos pontos 1, 2, 3 e 4

03 – Uma esfera eletrizada com carga de +2mC e massa 100g é lançada horizontalmente com velocidade 4m/s num campo elétrico vertical, orientado para cima e de intensidade 400N/C. Supondo g = 10m/s2, a distância horizontal percorrida pela esfera após cair 25 cm é:
a) 2,0 m.          b) 1,8 m.         c) 1,2 m.          d) 0,8 m.         e) 0,6 m.

04 – Uma bolinha, carregada negativamente, é pendurada em um dinamômetro e colocada entre duas placas paralelas, carregadas com cargas de mesmo módulo, de acordo com a figura a seguir. O orifício por onde passa o fio, que sustenta a bolinha, não altera o campo elétrico entre as placas, cujo módulo é 4×106N/C. O peso da bolinha é 2N, mas o dinamômetro registra 3N, quando a bolinha alcança o equilíbrio. Assinale as proposições CORRETAS.

01. A placa A tem carga positiva e a B negativa.     02. A placa A tem carga negativa e a B positiva.
04. Ambas as placas têm carga positiva.                   08. O módulo da carga da bolinha é de 0,25×10-6C.
16. O módulo da carga da bolinha é de 4,0×10-6C.
32. A bolinha permaneceria em equilíbrio, na mesma posição do caso anterior, se sua carga fosse positiva e de mesmo módulo.
Soma (       )

05 – Na figura a seguir estão representadas algumas linhas de força do campo criado pela carga Q. Os pontos A, B, C e D estão sobre circunferências centradas na carga. Assinale a alternativa FALSA:

a) Os potenciais elétricos em A e C são iguais.
b) O potencial elétrico em A é maior do que em D.
c) Uma carga elétrica positiva colocada em A tende a se afastar da carga Q.
d) O trabalho realizado pelo campo elétrico para deslocar uma carga de A para C é nulo.
e) O campo elétrico em B é mais intenso do que em A.

06 – Duas pequenas esferas isolantes - I e II -, eletricamente carregadas com cargas de sinais contrários, estão fixas nas posições representadas nesta figura. A carga da esfera I é positiva e seu módulo é maior que o da esfera II. Guilherme posiciona uma carga pontual positiva, de peso desprezível, ao longo da linha que une essas duas esferas, de forma que ela fique em equilíbrio. Considerando-se essas informações, é CORRETO afirmar que o ponto que melhor representa a posição de equilíbrio da carga pontual, na situação descrita, é o:

a) R.    b) P.    c) S.     d) Q.

07 – Uma pequena esfera, com carga elétrica positiva Q = 1,5 × 10-9C, está a uma altura D = 0,05 m acima da superfície de uma grande placa condutora, ligada à Terra, induzindo sobre essa superfície cargas negativas, como na figura 1. O conjunto dessas cargas estabelece um campo elétrico que é idêntico, apenas na parte do espaço acima da placa, ao campo gerado por uma carga +Q e uma carga -Q, como se fosse uma "imagem" de Q que estivesse colocada na posição representada na figura 2.

a) Determine a intensidade da força F, em N, que age sobre a carga +Q, devida às cargas induzidas na placa.
b) Determine a intensidade do campo elétrico E0, em V/m, que as cargas negativas induzidas na placa criam no ponto onde se encontra a carga +Q.
c) Represente, no diagrama da figura 3, no ponto A, os vetores campo elétrico E+ e E- , causados, respectivamente, pela carga +Q e pelas cargas induzidas na placa, bem como o campo resultante, EA . O ponto A está a uma distância D do ponto O da figura e muito próximo à placa, mas acima dela.
d) Determine a intensidade do campo elétrico resultante EA, em V/m, no ponto A.
NOTE E ADOTE
F = k Q1Q2/r2; E = k Q/r2; onde k = 9 × 109 N . m2/C2 ;1 V/m = 1 N/C

08 – A figura mostra duas placas planas e paralelas separadas por uma distância muito pequena. As placas estão igualmente carregadas com cargas opostas. Se os potenciais elétricos nos pontos A e B valem, respectivamente, VÛ = 400 V e V½ = 100 V e a distância entre os pontos A e B é de 2,0 cm, então os valores do campo elétrico em A e B são, respectivamente, iguais a:

a) 1,5 × 104 V/m  e 1,5 × 104 V/m     b) 4,0 × 104 V/m  e 1,0 × 104 V/m
c) 500 V/m  e 100 V/m                      d) 0 e 300 V/m

09 – Um feixe de partículas eletricamente carregadas precisa ser desviado utilizando-se um capacitor como o mostrado na figura 1. Cada partícula deve entrar na região do capacitor com energia cinética K, em uma direção cuja inclinação Ө, em relação à direção x, é desconhecida inicialmente, e passar pelo ponto de saída P com velocidade paralela à direção x. Um campo elétrico uniforme e perpendicular às placas do capacitor deve controlar a trajetória das partículas.

Se a energia cinética de cada partícula no ponto P for K/4, a sua carga for Q e desprezando o efeito da gravidade, calcule:
a) o ângulo Ө.
b) o campo elétrico que deve ser aplicado para desviar o feixe conforme requerido, em termos de Q, h e K.

10 – Na figura, um elétron de carga -e e massa m, é lançado com velocidade inicial v, no campo elétrico uniforme entre as placas planas e paralelas, de comprimento ℓ e separadas pela distância d. O elétron entra no campo, perpendicularmente às linhas de força, num ponto eqüidistante das placas. Desprezando as ações gravitacionais e sabendo que o elétron tangencia a placa superior (ponto A) ao emergir do campo, então a intensidade deste campo elétrico é:

a) E = eℓ2/mdv2          b) E = eℓ/mdv       c) E = mdv/eℓ       d) E = mdv2/eℓ2          e) E = mdv2/2eℓ2


Gabarito

1- c ; 2- a ; 3- a ; 4- 02+08=10 ; 5- e ; 6- c
7- a) 2,0 × 10-6N, b) 1,35 × 103V/m c) figura (3) abaixo,


d) EA ≈ 3,8 × 103 V/m
8- a ; 9- a) Ө = 60°. b) E = 0,75K/(Qh) ; 10- d 

Exercícios Vidas Secas - Literatura


Lista de Exercícios Vidas secas
5 questões de múltipla escolha e 5 questões discursivas.




VIDAS SECAS

TESTES

1. (FUVEST 2001) Um escritor classificou Vidas secas como “romance desmontável”, tendo em vista sua composição descontínua, feita de episódios relativamente independentes e seqüências parcialmente truncadas. Essas características da composição do livro

a) constituem um traço de estilo típico dos romances de Graciliano Ramos e do Regionalismo nordestino.
b) indicam que ele pertence à fase inicial de Graciliano Ramos, quando este ainda seguia os ditames do primeiro momento do Modernismo.
c) diminuem o seu alcance expressivo, na medida em que dificultam uma visão adequada da realidade sertaneja.
d) revelam, nele, a influência da prosa seca e lacônica de Euclides da Cunha, em Os sertões.
e) relacionam-se à visão limitada e fragmentária que as próprias personagens têm do mundo.

2. (FUVEST 2002) Considere as seguintes comparações entre Vidas secas e A hora da estrela:

I. Os narradores de ambos os livros adotam um estilo sóbrio e contido, avesso a expansões emocionais, condizente com o mundo de escassez e privação que retratam.
II. Em ambos os livros, a carência de linguagem e as dificuldades de expressão, presentes, por exemplo, em Fabiano e Macabéa, manifestam aspectos da opressão social.
III. A personagem sinha Vitória (Vidas secas), por viver isolada em meio rural, não possui elementos de referência que a façam aspirar por bens que não possui; já Macabéa, por viver em meio urbano, possui sonhos típicos da sociedade de consumo.

Está correto apenas o que se afirma em

a) I.
b) II.
c) III.
d) I e II.
e) II e III.

3. (FUVEST 2008) Considere as seguintes afirmações sobre três obras literárias:

Na primeira obra, o catolicismo apresenta-se como religião absoluta, cujos princípios sólidos mais sobressaem ao serem contrapostos às desordens humanas. Na segunda obra, diferentemente, ele aparece como religião relativamente maleável, cujos preceitos as personagens acabam por adaptar a seus desejos e conveniências, sem maiores problemas de consciência subseqüentes. Já na terceira obra, o catolicismo comparece sobretudo como parte de um resgate mais amplo de valores familiares e tradicionais, empreendido pelo protagonista.



Essas afirmações referem-se, respectivamente, às seguintes obras:

a) Dom Casmurro, Memórias de um sargento de milícias e Auto da barca do inferno.
b) Memórias de um sargento de milícias, “A hora e vez de Augusto Matraga” e Vidas secas.
c) “A hora e vez de Augusto Matraga”, A cidade e as serras e Memórias de um sargento de milícias.
d) Auto da barca do inferno, Dom Casmurro e A cidade e as serras.
e) A cidade e as serras, Vidas secas e Auto da barca do inferno.

4. (FUVEST 2008) Considere as seguintes comparações entre Vidas secas e Iracema:

I. Em ambos os livros, a parte final remete o leitor ao início da narrativa: em Vidas secas, essa recondução marca o retorno de um fenômeno cíclico; em Iracema, a remissão ao início confirma que a história fora contada em retrospectiva, reportando-se a uma época anterior à da abertura da narrativa.
II. A necessidade de migrar é tema de que Vidas secas trata abertamente. O mesmo tema, entretanto, já era sugerido no capítulo final de Iracema, quando, referindo-se à condição de migrante de Moacir, “o primeiro cearense”, o narrador pergunta: “Havia aí a predestinação de uma raça?”
III. As duas narrativas elaboram suas tramas ficcionais a partir de indivíduos reais, cuja existência histórica, e não meramente ficcional, é documentada: é o caso de Martim e Moacir, em Iracema, e de Fabiano e sinha Vitória, em Vidas secas.

Está correto o que se afirma em

a) I, somente.
b) II, somente.
c) I e II, somente.
d) II e III, somente.
e) I, II e III.
5. (FUVEST 2009) Quando nos apresentam os homens vistos pelos olhos dos animais, as narrativas em que aparecem o burrinho pedrês, do conto homônimo (Sagarana), os bois de “Conversa de bois” (Sagarana) e a cachorra Baleia (Vidas secas) produzem um efeito de

a) indignação, uma vez que cada um desses animais é morto por algozes humanos.
b) infantilização, uma vez que esses animais pensantes são exclusivos da literatura infantil.
c) maravilhamento, na medida em que os respectivos narradores servem-se de sortilégios e de magia para penetrar na mente desses animais.
d) estranhamento, pois nos fazem enxergar de um ponto de vista inusitado o que antes parecia natural e familiar.
e) inverossimilhança, pois não conseguem dar credibilidade a esses animais dotados de interioridade.


Gabarito
1)E 2)B 3)D 4)C 5)D
LITERATURA

VIDAS SECAS


QUESTÕES DISCURSIVAS

1. (UNICAMP 1998) Em Vidas Secas, após ter vencido as dificuldades, postas no início da narrativa, Fabiano afirma: “Fabiano, você é um homem...”. Corrige-se logo depois: “Você é um bicho, Fabiano”. Em seguida, encontrando-se com a cadelinha, diz: “Você é um bicho, Baleia”. Ao chamar a si mesmo e a Baleia de “bicho”, Fabiano estabelece uma identificação com ela. Na leitura de Vidas Secas, podem-se perceber vários motivos para essa identificação. Cite dois
desses motivos.

Fabiano chega a afirmar que se sente resistente como um bicho, por sobreviver à seca, do
mesmo modo que Baleia; ele também tem enorme dificuldade para se expressar, fazendo-o por meio de gestos e de sons guturais como “Hum!”, “An!”, o que poderia ser comparados aos latidosde Baleia. Fabiano também tem dificuldades para elaborar idéias mais complexas; quase sempre fica confuso, o que pode se relacionar à irracionalidade de Baleia.

2. (UNICAMP 2008) Leia o seguinte trecho do capítulo “Contas”, de Vidas Secas.

Tinha a obrigação de trabalhar para os outros, naturalmente, conhecia do seu lugar. Bem. Nascera com esse destino, ninguém tinha culpa de ele haver nascido com um destino ruim. Que fazer? Podia mudar a sorte? Se lhe dissessem que era possível melhorar de situação, espantar-se-ia. (...) Era a sina. O pai vivera assim, o avô também. E para trás não existia família. Cortar
mandacaru, ensebar látegos – aquilo estava no sangue. Conformava-se, não pretendia mais nada. Se lhe dessem o que era dele, estava certo. Não davam. Era um desgraçado, era como um cachorro, só recebia ossos. Por que seria que os homens ricos ainda lhe tomavam uma parte dos ossos? Fazia até nojo pessoas importantes se ocuparem com semelhantes porcarias.
(Graciliano Ramos, Vidas Secas. 103ª. ed., Rio de Janeiro: Editora Record, 2007, p.97.)

a) Que visão Fabiano tem de sua própria condição? Justifique.

Trata-se de uma visão extremamente alienada e conformista (“Conformava-se, não pretendia mais nada”, diz ele), justificada, inclusive, por uma lógica determinista. Fabiano aceita a exploração e a condição social miserável em que vive como se fossem naturais, produtos de uma sina (“Nascera com esse destino, ninguém tinha culpa de ele haver nascido com um destino ruim. Que fazer? Podia mudar a sorte? [...] Era a sina.”), ou mesmo de uma herança genética, pois, segundo ele, o “pai vivera assim, o avô também [...] aquilo estava no sangue”.

b) Explique a referência que ele faz aos “homens ricos” com base no enredo do livro.

Os “homens ricos” mencionados no trecho são homens de posse, senhores de terras, exploradores como o proprietário das terras em que Fabiano se instala com sua família. Como não tinha roça e apenas se limitava a semear na vazante uns punhados de feijão e milho, Fabiano precisava recorrer à feira para a compra de mantimentos, a fim de alimentar a família. Para isso, negociava os poucos bezerros e cabritos que possuía com o
proprietário das terras, que os comprava a preços baixíssimos. O valor que conseguia com os animais não era suficiente para se manter e precisava recorrer ao patrão, que lhe cobrava juros altíssimos pelos empréstimos. As contas do patrão nunca batiam com as de Sinhá Vitória, em virtude dos juros exorbitantes cobrados por tais empréstimos. Quando Fabiano reclamava, o patrão, irritado, mandava-o procurar outra fazenda. Fabiano, então,
sem alternativa, calava-se e se submetia aos desmandos e à exploração do patrão.

3. (FUVEST 2008) Em seu poema chamado “Graciliano Ramos:”, João Cabral de Melo Neto coloca-se no lugar desse escritor e desenvolve quatro afirmações:

I. “Falo somente com o que falo:” (= com os meios que uso para expressar-me, com o estilo que emprego).
II. “Falo somente do que falo:” (= dos assuntos de que trato, dos aspectos que privilegio).
III. “Falo somente por quem falo:” (= em nome de quem falo, a quem dou voz em minha obra).
IV. “Falo somente para quem falo:” (= a quem me dirijo ao escrever, de que modo trato o leitor).

Imitando o procedimento de João Cabral, coloque-se no lugar de Graciliano Ramos e desenvolva cada uma dessas quatro afirmações, tendo como referência o romance Vidas secas.

I. O estilo adotado é seco, despojado, descarnado (no dizer de Alfredo Bosi). Esses aspectos são confirmados pela valorização do período e do parágrafo curtos, pelo predomínio das orações coordenadas e justapostas; pela economia dos elementos
descritivos (que só estão presentes quando imprescindíveis para a situação que nomeiam). A linguagem, reduzida ao mínimo, mimetiza a miséria do meio e dos próprios personagens.
II. Os assuntos de Vidas Secas são a brutalização do homem, resultante dos elementos geográficos (como a seca), mas, sobretudo de uma ordem sócio-político-econômica que divide os homens entre os donos da terra e do poder (latifundiários e governo) e aqueles que só têm a força de trabalho para oferecer (retirantes) e a incomunicabilidade resultante dessa realidade.
III. O narrador do romance Vidas Secas fala em nome desses oprimidos que não têm voz; daí a presença de um narrador em terceira pessoa onisciente, necessário para exteriorizar os anseios, os sonhos e as necessidades desses desvalidos.
IV. O narrador se dirige ao leitor, que, como ele, está distanciado do universo dos retirantes e pode compreender toda a dinâmica (em seus aspectos sociais, políticos e econômicos) dessa trágica realidade. Essa postura do narrador se evidencia claramente no capítulo final do romance, quando a família vislumbra um futuro melhor na cidade grande e o narrador, irônico e visando à percepção do leitor, afirma: "e o sertão continuaria a mandar para a cidade homens fortes como Fabiano e sinha Vitória".

4. (FUVEST 2009) Leia as afirmações abaixo e responda ao que se pede.

I. A dureza do clima, que se manifesta principalmente nas grandes secas periódicas, explica todas as aflições de Fabiano, ao longo da narrativa de Vidas secas, de Graciliano Ramos.

a) Você concorda com essa afirmação (I)? Justifique sucintamente sua resposta.

Não é possível concordar com a afirmação, uma vez que todas as aflições de Fabiano não se explicam apenas pela dureza do clima: ele é oprimido também por fatores do meio social em que vive; basta lembrar os episódios do soldado amarelo e de suas relações com o patrão.

II. Apesar de quase atrofiadas na sua rusticidade, as personagens de Vidas secas, de Graciliano Ramos, conservam um filete de investigação da interioridade: cada uma delas se perscruta, reflete, tenta compreender a si e ao mundo, ajustando-o à sua visão.

b) Você considera essa afirmação (II) correta? Justifique brevemente sua resposta.

Sim, pois, apesar de privadas de linguagem, as personagens têm sua interioridade conhecida graças ao recurso do discurso indireto livre, em que, no meio da fala do narrador, irrompe o próprio pensamento da personagem.


Resumo e Análise Vidas Secas - Graciliano Ramos - Literatura



CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA



Os abalos sofridos pelo povo brasileiro em torno dos acontecimentos de 1930, a crise econômica provocada pela quebra da bolsa de valores de Nova Iorque, a crise cafeeira, a Revolução de 1930, o acelerado declínio do nordeste condicionaram um novo estilo ficcional, notadamente mais adulto, mais amadurecido, mais moderno que se marcaria pela rudeza, por uma linguagem mais brasileira, por um enfoque direto dos fatos, por uma retomada do naturalismo, principalmente no plano da narrativa documental, temos também o romance nordestino, liberdade temática e rigor estilístico.
Os romancistas de 30 caracterizavam-se por adotarem visão crítica das relações sociais, regionalismo ressaltando o homem hostilizado pelo ambiente, pela terra, cidade, o homem devorado pelos problemas que o meio lhe impõe.
Graciliano Ramos (1892-1953) nasceu em Quebrângulo, Alagoas. Estudou em Maceió, mas não cursou nenhuma faculdade. Após breve estada no Rio de Janeiro como revisor dos jornais "Correio da Manhã e A Tarde", passou a fazer jornalismo e política elegendo-se prefeito em 1927.
Foi preso em 1936 sob acusação de comunista e nesta fase escreveu "Memórias do Cárcere", um sério depoimento sobre a realidade brasileira. Depois do cárcere morou no Rio de Janeiro. Em 1945, integrou-se no Partido Comunista Brasileiro.
Graciliano estreou em 1933 com "Caetés", mas é São Berdado, verdadeira obra prima da literatura brasileira. Depois vieram "Angustia" (1936) e Vidas Secas (1938) inspirando-se em Machado de Assis.
Podemos justificar isto com passagens do texto:
"Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam cansados e famintos."
"A caatinga estendia-se de um vermelho indeciso salpicado de manchas brancas que eram ossadas"
"Resolvera de supetão aproveitá-lo (papagaio) como alimento..."
"Miudinhos, perdidos no deserto queimado, os fugitivos agarraram-se, somaram as suas desgraças e os seus       pavores".



ESTUDO DOS PERSONAGENS



Baleia - cadela da família, tratado como gente, muito querido pelas crianças.
Sinhá Vitória - mulher de Fabiano, sofrida, mãe de 2 filhos, lutadora e inconformada com a miséria em que vivem, trabalha muito na vida.
Fabiano - nordestino pobre, ignorante que desesperadamente procura trabalho, bebe muito e perde dinheiro no jogo.
Filhos - crianças pobres sofridas e que não tem noção da própria miséria que vivem.
Patrão - contratou Fabiano para trabalhar em sua fazenda, era desonesto e explorava os empregados.
Outros personagens: o soldado, seu Inácio (dono do bar).



ESTUDO DA LINGUAGEM



Tipo de discurso: indireto livre
Foco narrativo: terceira pessoa

Adjetivos, figuras de linguagem:
Metáfora: " - você é um bicho, Fabiano".
Prosopopéia: compara Baleia como gente



ANÁLISE DAS IDÉIAS


Comentário Crítico:
Esse livro retrata fielmente a realidade brasileira não só da época em que o livro foi escrito, mas como nos dias de hoje tais como injustiça social, miséria, fome, desigualdade, seca, o que nos remete a idéia de que o homem se animalizou sob condições sub-humanas de sobrevivência.

RESUMO DA OBRA

Mudança
Em meio à paisagem hostil do sertão nordestino, quatro pessoas e uma cachorrinha se arrastam numa peregrinação silenciosa _ _ . O menino mais velho, exausto da caminhada sem fim, deita-se no chão, incapaz de prosseguir, o que irrita Fabiano, seu pai, que lhe  dá estocadas com a faca no intuito de fazê-lo levantar. Compadecido da situação do pequeno, o pai toma-o nos braços e carrega-o, tornando a viagem ainda mais modorrenta _ .
A cadela Baleia acompanha o grupo de humanos agora sem a companhia do outro animal da família, um papagaio, que fora sacrificado na véspera a fim de aplacar a fome que se abatia sobre aquelas pessoas. Na verdade, era um papagaio estranho, que pouco falava, talvez porque convivesse com gente que também falava pouco _ _ .
Errando por caminhos incertos, Fabiano e família encontram uma fazenda completamente abandonada. Surge a intenção de se fixar por ali. Baleia aparece com um preá entre os dentes, causando grande alegria aos seus donos. Haveria comida. Descendo ao bebedouro dos animais, em meio à lama, Fabiano consegue água. Há uma alegria em seu coração, novos ventos parecem soprar para a sua família. Pensa em Seu Tomás da bolandeira.  Pensa na mulher e nos filhos.
A inesperada caça é preparada, o que garante um rápido momento de felicidade ao grupo. No céu, já escuro, uma nuvem - sempre um sinal de esperança. Fabiano deseja estabelecer-se naquela fazenda. Será o dono dela. A vida melhorará para todos _ .


Fabiano  


Em vão Fabiano procura por uma raposa. Apesar do fracasso da empreitada, ele está satisfeito. Pensa na situação da família, errante, passando fome, quando da chegada àquela fazenda. Estavam bem agora _ _ . Fabiano se orgulha de vencer as dificuldades tal qual um bicho. Agora ele era um vaqueiro, apesar de não ter um lugar próprio para morar. A fazenda aparentemente abandonada tinha um dono, que logo aparecera e reclamara a posse do local. A solução foi ficar por ali mesmo, servindo ao patrão, tomando conta do local. Na verdade, era uma situação triste, típica de quem não tem nada e vive errante.  Sentiu-se novamente um animal, agora com uma conotação negativa. Pouco falava, admirava e tentava imitar a fala difícil das pessoas da cidade. Era um bicho _ .
A uma pergunta de um dos filhos, Fabiano irrita-se. Para que perguntar as coisas? Conversaria com Sinha Vitória sobre isso. Essas coisas de pensamento não levavam a nada. Seu Tomás da bolandeira, apesar de admirado por Fabiano pelas suas palavras difíceis, não acabara como todo mundo? As palavras, as idéias, seduziam e cansavam Fabiano.
Pensou na brutalidade do patrão, a tratá-lo como um traste. Pensou em Sinha Vitória e seu desejo de possuir uma cama igual à de Seu Tomás da bolandeira. Eles não poderiam ter esse luxo, cambembes que eram. Sentiu-se confuso. Era um forte ou um fraco, um homem ou um bicho _ ? Sentia, por vezes, ímpeto de lutador e fraqueza de derrotado.
Lembrando dos meninos, novamente, achou que, quando as coisas melhorassem, eles poderiam se dar ao luxo daquelas coisas de pensar. Por ora, importante era sobreviver. Enquanto as coisas não melhorassem, falaria com Sinha Vitória sobre a educação dos pequenos.




Cadeia


Fabiano vai à feira comprar mantimentos, querosene e um corte de chita vermelha. Injuriado com a qualidade do querosene e com o preço da chita, resolve beber um pouco de pinga  na bodega de seu Inácio. Nisso, um soldado amarelo convida-o para um jogo de cartas. Os dois acabam perdendo, o que irrita o soldado, que provoca Fabiano quando esse está de partida. A idéia do jogo havia sido desastrosa. Perdera dinheiro, não levaria para casa o prometido. Fabiano, agora, pensava em como enganar Sinha Vitória, mas a dificuldade de engendrar um plano o atormentava.
O soldado, provocador, encara o vaqueiro e barra-lhe a passagem. Pisa no pé de Fabiano que, tentando contornar a situação à sua maneira, agüenta os insultos até o possível, terminando por xingar a mãe do soldado amarelo. Destacamento à sua volta. Cadeia. Fabiano é empurrado, humilhado publicamente.
No xadrez, pensa por que havia acontecido tudo aquilo com ele. Não fizera nada, se quisesse até bateria no mirrado amarelo, mas ficara quieto. Em meio a rudes indagações, enfureceu-se, acalmou-se, protestou inocência _ . Amolou-se com o bêbado e com a quenga que estavam em outra cela. Pensou na família. Se não fosse Sinha Vitória e as crianças, já teria feito uma besteira por ali mesmo. Quando deixaria que um soldadinho daqueles o humilhasse tanto? Arquitetou vinganças, gritou com os outros presos e, no meio de sua incompreensão com os fatos, sentiu a família como um peso a carregar _ .




Sinha Vitória


Naquele dia, Sinha Vitória amanhecera brava. A noite mal dormida na cama de varas era o motivo de sua zanga. Falara pela manhã, mais uma vez, com Fabiano sobre a dificuldade de dormir naquela cama. Queria uma cama de lastro de couro, como a de Seu Tomás da bolandeira, como a de pessoas normais.
Havia um ano que discutia com o marido a necessidade de uma cama decente e, em meio a uma briga por causa das "extravagâncias" de cada um, Sinha Vitória certa vez ouviu Fabiano dizer-lhe que ela ficava ridícula naqueles sapatos de verniz, caminhando como um papagaio, trôpega, manca. A comparação machucou-a _ .
Agora, ela irritava-se com o ronco de Fabiano ao lembrar-se de suas palavras. Circulando pela casa, fazia suas tarefas em meio a reza e a atenção ao que acontecia lá fora. Por pensar ainda na cama e na comparação maldosa de Fabiano, quase esqueceu de pôr água na comida. Veio-lhe a lembrança do bebedouro em que só havia lama. Medo da seca. Olhou de novo para seus pés e inevitavelmente achou Fabiano mau _ . Pensou no papagaio e sentiu pena dele _ .
Lá fora, os meninos brincavam em meio à sujeira. Dentro de casa, Fabiano roncava forte, seguro, o que indicava a Sinha Vitória que não deveria haver perigo algum por ali. A seca deveria estar longe _ . As coisas, agora, pareciam mais estáveis, apesar de toda a dificuldade. Lembrou-se de como haviam sofrido em suas andanças. Só faltava uma cama. No fundo, até mesmo Fabiano queria uma cama nova. 


O Menino mais novo 


A imagem altiva do pai foi que lhe fez surgir a idéia. Fabiano, armado como vaqueiro, domava a égua brava com o auxílio de Sinha Vitória. O espetáculo grosseiro excitava o menor dos garotos, impressionado com a façanha do pai e disposto a fazer algo que também impressionasse o irmão mais velho e a cachorra Baleia _ . No dia seguinte, acordou disposto a imitar a façanha do pai. Para tanto, quis comunicar a intenção ao mano, mas evitou, com medo de ser ridicularizado.
Quando as cabras foram ao bebedouro, levadas pelo menino mais velho e por Baleia,  o pequeno tomou o bode como alvo de sua ação. Sentia-se altivo como Fabiano quando montava. No bebedouro, o garoto despencou da ribanceira sobre o animal, que o repeliu. Insistente, tentou se aprumar mas foi sacudido impiedosamente, praticando um involuntário salto mortal que o deixou, tonto, estatelado ao chão. O irmão mais velho ria sem parar do ridículo espetáculo, Baleia parecia desaprovar toda aquela loucura _ . Fatalmente seria repreendido pelos pais. Retirou-se humilhado, alimentando a raivosa certeza de que seria grande, usaria roupas de vaqueiro, fumaria cigarros e faria coisas que deixariam Baleia e o irmão admirados.




O Menino mais velho


Aquela palavra tinha chamado a sua atenção: inferno. Perguntou à Sinha Vitória, vaga na resposta. Perguntou a Fabiano, que o ignorou. Na volta à Sinha Vitória, indagou se ela já tinha visto o inferno. Levou um cascudo e fugiu indignado. Baleia fez-lhe companhia tentando alegrá-lo naquela hora difícil.
Decidiu contar à cachorrinha uma história, mas o seu vocabulário era muito restrito, quase igual ao do papagaio que morrera na viagem _ . Só Baleia era sua amiga naquele momento. Por que tanta zanga com uma palavra tão bonita ? A culpa era de Sinha Terta, que usara aquela palavra na véspera, maravilhando o ouvido atento do garoto mais velho.
Olhou para o céu e sentiu-se melancólico. Como poderiam existir estrelas? Pensou novamente no inferno. Deveria ser, sim, um lugar ruim e perigoso, cheio de jararacas e pessoas levando cascudos e pancadas com a bainha da faca _ . Sempre intrigado, abraçou-se à Baleia como refúgio _ .




Inverno


Todos estavam reunidos em volta do fogo, procurando aplacar o frio causado pelo vento e pela água que agitava a paisagem fora da casa. Chegara o inverno, e isso reunia a família próxima à fogueira. Pai e mãe conversavam daquele jeito de sempre, estranho, e os meninos, deitados, ficavam ouvindo as histórias inventadas por Fabiano, de feitos que ele nunca tinha realizado, aventuras nunca vividas. Quando o mais velho levantou-se para buscar mais lenha, foi repreendido severamente pelo pai, aborrecido pela interrupção de sua narrativa.
A chuva dava à família a certeza de que a seca não chegaria por enquanto. Isso alegrava Fabiano. Sinha Vitória, porém, temia por uma inundação que os fizesse subir ao morro, novamente errantes. A água, lá fora, ampliava sua invasão.
Fabiano empolgava-se mais ainda em contar suas façanhas _ . A chuva tinha vindo em boa hora. Após a humilhação na cidade, decidira que, com a chegada da seca, abandonaria a família e partiria para a vingança contra o soldado amarelo e demais autoridades que lhe atravessassem o caminho. A chegada das águas interrompera aqueles planos sinistros. Em meio à narrativa empolgada, Fabiano imaginava que as coisas melhorariam a partir dali; quem sabe, Sinha Vitória até pudesse ter a cama tão desejada.
Para o filho mais novo, o escuro e as sombras geradas pela fogueira faziam da imagem do pai algo grotesco, exagerado. Para o mais velho, a alteração feita por Fabiano na história que contava era motivo de desconfiança. Algo não cheirava bem naquele enredo _ . Sempre pensativo, o menino mais velho dormiu pensando na falha do pai e nos sapos que estariam lá fora, no frio.
Baleia, incomodada com a arenga de Fabiano, procurava sossego naquela paisagem interior. Queria dormir em paz, ouvindo o barulho de fora _ .




Festa


A família foi à festa de Natal na cidade. Todos vestidos com suas melhores roupas, num traje pouco comum às suas figuras, o que lhes dava um ar ridículo. A caminhada longa tornava-se ainda mais cansativa por causa daquelas roupas e sapatos apertados. O mal-estar era geral, até que Fabiano cansou-se da situação e tirou os sapatos, metendo as meias no bolso, livrando-se ainda do paletó e da gravata que o sufocava. Os demais fizeram o mesmo. Voltaram ao seu natural. Baleia juntou-se ao grupo _ .
Chegando à cidade, foram todos lavar-se à beira de um riacho antes de se integrarem à festa. Sinha Vitória carregava um guarda-chuva. Fabiano marchava teso. Os meninos maravilham-se, assustados, com tantas luzes e gente. A igreja, com as imagens nos altares, encantou-os mais ainda. O pai espremia-se no meio da multidão, sentindo-se cercado de inimigos. Sentia-se mangado por aquelas pessoas que o viam em trajes estranhos à sua bruta feição. Ninguém na cidade era bom. Lembrou-se da humilhação imposta pelo soldado amarelo quando estivera pela última vez na cidade.
A família saiu da igreja e foi ver o carrossel e as barracas de jogos. Como Sinha Vitória negou-lhe uma aposta no bozó, Fabiano afastou-se da família e foi beber pinga _ . Embriagando-se, foi ficando valente. Imaginava, com raiva, por onde andava o soldado amarelo. Queria esganá-lo. No meio da multidão, gritava, provocava um inimigo imaginário _ . Queria bater em alguém, poderia matar se fosse o caso _ . Vez ou outra, interrompia suas imprecações para uma confusa reflexão. Cansado do seu próprio teatro, Fabiano deitou no chão, fez das suas roupas um travesseiro e dormiu pesadamente.
Sinha Vitória, aflita, tinha que olhar os meninos, não podia deixar o marido naquele estado. Tomando coragem para realizar o que mais queria naquele momento, discretamente esgueirou-se para uma esquina e ali mesmo urinou. Em seguida, para completar o momento de satisfação, pitou num cachimbo de barro pensando numa cama igual à de seu Tomas da bolandeira .
Os meninos também estavam aflitos. Baleia sumira na confusão de pessoas, e o medo de que ela se perdesse e não mais voltasse era grande. Para alívio dos pequenos, a cachorrinha surge de repente e acaba com a tensão. Restava, agora, aos pequenos, o maravilhamento com tudo de novo que viam. O menor perguntou ao mais velho se tudo aquilo tinha sido feito por gente. A dúvida do maior era se todas aquelas coisas teriam nome. Como os homens poderiam guardar tantas palavras para nomear as coisas _ ?
Distante de tudo, Fabiano roncava e sonhava com soldados amarelos.




Baleia


Pêlos caídos, feridas na boca e inchaço nos beiços debilitaram Baleia de tal modo que Fabiano achou que ela estivesse com raiva. Resolveu sacrificá-la. Sinha Vitória recolheu os meninos, desconfiados,  a fim de evitar-lhes a cena.
Baleia era considerada como um membro da família, por isso os meninos protestaram, tentando sair ao terreiro para impedir a trágica atitude do pai. Sinha Vitória lutava com os pequenos, porque aquilo era necessário, mas aos primeiros movimentos do marido para a execução, lamentou o fato de que ele não tivesse esperado mais para confirmar a doença da cachorrinha.
Ao primeiro tiro, que pegou o traseiro da cachorra e inutilizou-lhe uma perna, as crianças começaram a chorar desesperadamente.
Começou, lá fora, o jogo estratégico da caça e do caçador. Baleia sentia o fim próximo, tentava esconder-se e até desejou morder Fabiano. Um nevoeiro turvava a visão da cachorrinha, havia um cheiro bom de preás. Em meio à agonia, tinha raiva de Fabiano, mas também o via como o companheiro de muito tempo. A vigilância às cabras, Fabiano, Sinha Vitória e as crianças surgiam à Baleia em meio a uma inundação de preás que invadiam a cozinha _ . Dores e arrepios. Sono. A morte estava chegando para Baleia. 




Contas


Fabiano retirava para si parte do que rendiam os cabritos e os bezerros. Na hora de fazer o acerto de contas com o patrão, sempre tinha a sensação de que havia sido enganado. Ao longo do tempo, com a produção escassa, não conseguia dinheiro e endividava-se.
Naquele dia, mais uma vez Fabiano pedira a Sinha Vitória para que ela fizesse as contas. O patrão, novamente, mostrou-lhe outros números. Os juros causavam a diferença, explicava o outro. Fabiano reclamou, havia engano, sim senhor, e aí foi o patrão quem estrilou. Se ele desconfiava, que fosse procurar outro emprego. Submisso, Fabiano pediu desculpas e saiu arrasado, pensando mesmo que Sinha Vitória era quem errara.
Na rua, voltou-lhe a raiva. Lembrou-se do dia em que fora vender um porco na cidade e o fiscal da prefeitura exigira o pagamento do imposto sobre a venda. Fabiano desconversou e disse que não iria mais vender o animal. Foi a uma outra rua negociar e, pego em flagrante, decidiu nunca mais criar porcos _ .
Pensou na dificuldade de sua vida. Bom seria se pudesse largar aquela exploração. Mas não podia! Seu destino era trabalhar para os outros, assim como fora com seu pai e seu avô.
As notas em sua mão impressionavam-no. "Juros", palavra difícil que os homens usavam quando queriam enganar os outros. Era sempre assim: bastavam palavras difíceis para lograr os menos espertos. Contou e recontou o dinheiro com raiva de todas aquelas pessoas da cidade. Sinha Vitória é que entendia seus pensamentos.
Teve vontade de entrar na bodega de seu Inácio e tomar uma pinga. Lembrou-se da humilhação passada ali mesmo e decidiu ir para casa. o céu, várias estrelas. Deixou de lado a lembrança dos inimigos e pensou na família. Sentiu dó da cachorra Baleia. Ela era um membro da família.




O Soldado Amarelo


Procurando uma égua fugida, Fabiano meteu-se por uma vereda e teve o cabresto embaraçado na vegetação local. Facão em punho, começou a cortar as quipás e palmatórias que impediam o prosseguimento da busca. Nesse momento, depara-se com o soldado amarelo que o humilhara um ano atrás _ . O cruzar de olhos e o reconhecimento durou fração de segundos. O suficiente para que Fabiano esfolasse o inimigo. O soldado claramente tremia de medo. Também reconhecera o desafeto antigo e pressentia o perigo.
Fabiano irritou-se com a cena. O outro era um nadica. Poderia matá-lo com as mãos, sem armas, se quisesse. A fragilidade do outro aos poucos foi aplacando a raiva de Fabiano. Ponderou que ele mesmo poderia ter evitado a noite na cadeia se não tivesse xingado a mãe do amarelo. No meio daquela paisagem isolada e hostil, só os dois, e se ele pedisse passagem ao soldado? Aproximou-se do outro pensando que já tinha sido mais valente, mais ousado. Na verdade, na fração de segundo interminável Fabiano ia descobrindo-se amedrontado. Se ele era um homem de bem, para que arruinar a sua vida matando uma autoridade? Guardaria forças para inimigo maior.
Sentindo o inimigo acovardado, o soldado ganhou força. Avançou firme e perguntou o caminho. Fabiano tirou o chapéu numa reverência e ainda ensinou o caminho ao amarelo.




O Mundo Coberto de Penas


A invasão daquele bando de aves denunciava a chegada da seca. Roubavam a água do gado, matariam bois e cabras. Sinha Vitória inquietou-se. Fabiano quis ignorar, mas não pôde; a mulher tinha razão. Caminhou até o bebedouro, onde as aves confirmavam o anúncio da seca. Eram muitas. Um tiro de espingarda eliminou cinco, seis delas, mas eram muitas. Fabiano tinha certeza, agora, de uma nova peregrinação, uma nova fuga.
Era só desgraça atrás de desgraça. Sempre fugido, sempre pequeno. Fabiano não se conformava, pensava com raiva no soldado amarelo, achava-se um covarde, um fraco. Irado, matou mais e mais aves. Serviriam de comida, mas até quando ? Quem sabe a seca não chegasse...Era sempre uma esperança. Mas o céu escuro de arribações só confirmava a triste situação _ . Elas cobriam o mundo de penas, matando o gado, tocando a ele e à família dali, quem sabe comendo-os.
Recolheu os cadáveres das aves e sentiu uma confusão de imagens em sua cabeça. Aquele lugar não era bom de se viver. Lembrou-se de Baleia, tentou se convencer de que não fizera errado em matá-la, pensou de novo na família e no que as arribações representavam. Sim, era necessário ir embora daquele lugar maldito _ . Sinha Vitória era inteligente, saberia entender a urgência dos fatos.




Fuga


O céu muito azul, as últimas arribações e os animais em estado de miséria indicavam a Fabiano que a permanência naquela fazenda estava esgotada. Chegou um ponto em que, dos animais, só sobrou um bezerro, que foi morto para servir de comida na viagem que se faria no dia seguinte.
Partiram de madrugada, abandonando tudo como encontraram. O caminho era o do sul. O grupo era o mesmo que errava como das outras vezes. Fabiano, no fundo, não queria partir, mas as circunstâncias convenciam-no da necessidade.
A vermelhidão do céu, o azul que viria depois assustavam Fabiano _ . Baleia era uma imagem constante em seus confusos pensamentos. Sinha Vitória também fraquejava. Queria, precisava falar _ . Aproximou-se do marido e disse coisas desconexas, que foram respondidas no mesmo nível de atrapalhação. 

Na verdade, ele gostou que ela tivesse puxado conversa. Ela tentou animar o marido, quem sabe a vida fosse melhor, longe dali, com uma nova ocupação para ele. Marido e mulher elogiam-se mutuamente; ele é forte, agüenta caminhar léguas, ela, tem pernas grossas e nádegas volumosas, agüenta também. A cidade, talvez, fosse melhor. Até uma cama poderiam arranjar. Por que haveriam de viver sempre como bichos fugidos _ ?

Os meninos, longe, despertavam especulações ao casal. O que seriam quando crescessem? Sinha Vitória não queria que fossem vaqueiros. O cansaço ia chegando à medida que avançava a caminhada, e assim houve uma parada para descanso. Novamente marido e mulher conversavam, fazendo planos, temendo o mau agouro das aves que voavam no céu.
Sinha Vitória acordou os pequenos, que dormiam, e seguiu-se viagem. Fabiano ainda admirou a vitalidade da mulher. Era forte mesmo! Assim, a cada passo arrastado do grupo um mundo de novas perspectivas ia sendo criado. Sinha Vitória falava e estimulava Fabiano. Sim, deveria haveria uma nova terra, cheia de oportunidades, distante do sertão a formar homens brutos e fortes como eles.

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